
Um grande silêncio caiu sobre o mundo inteiro durante vinte segundos — embora, mais tarde, ninguém pudesse acreditar que tão pouco tempo se tivesse passado. Então, a escuridão da grande abertura deu a impressão de avançar, e Karellen surgiu à luz do sol. O menino estava sentado em seu braço esquerdo, a menina, no direito — ambos demasiado ocupados brincando com as asas de Karellen, para repararem na multidão que os olhava.
Foi um tributo à psicologia dos Senhores Supremos e a todos aqueles anos de cuidadosa preparação o fato de apenas algumas pessoas terem desmaiado. E, ainda, em todo o mundo, foram poucas as pessoas que sentiram o antigo terror perpassar-lhes, por um horrível instante, a mente, antes que a razão o banisse para sempre.
Não era uma ilusão. As asas encouradas, os pequenos chifres, a cauda eriçada — nada faltava. A mais terrível de todas as lendas criara vida, emergira do passado desconhecido. E contudo, lá estava, sorrindo, numa majestade de ébano, com a luz do sol fazendo brilhar o seu tremendo corpo e uma criança humana confiantemente pousada em cada braço.
Cinqüenta anos é tempo de sobra para modificar um mundo e sua gente a ponto de quase não serem reconhecidos. Tudo de que se precisa é um conhecimento profundo da estrutura social, uma visão clara do objetivo em mente… e poder.
Todas essas coisas os Senhores Supremos possuíam. Embora seu objetivo não fosse claro, seu conhecimento era evidente — bem como seu poder.
Esse poder revestia-se de várias formas, poucas das quais eram sequer compreendidas pelos povos cujos destinos os Senhores Supremos agora governavam. O poderio representado pelas suas grandes naves tinha sido suficientemente evidente para todo mundo poder ver. Mas, por trás daquela exibição de força latente, havia outras armas, muito mais sutis.
