Os credos baseados em milagres e revelações tinham caído por terra. Com a ascensão da educação, vinham se dissolvendo lentamente, mas, durante algum tempo, os Senhores Supremos não haviam tomado partido. Embora várias vezes pedissem a Karellen para manifestar-se sobre as religiões, ele só dizia que as crenças de um homem eram um assunto que só ao próprio homem dizia respeito, desde que não interferissem na liberdade dos outros.

Talvez as velhas fés tivessem perdurado ainda por várias gerações, se não fosse a curiosidade humana. Sabia-se que os Senhores Supremos tinham acesso ao passado e mais de uma vez os historiadores haviam apelado a Karellen para que desse a última palavra em alguma velha controvérsia. É possível que ele tivesse ficado cansado de tais perguntas, mas parece mais provável que soubesse perfeitamente qual seria o resultado de sua generosidade..

O instrumento que ele emprestara, em caráter permanente, à Fundação da História Mundial nada mais era do que um aparelho de televisão, com um complicado conjunto de controles, destinado a determinar coordenadas no tempo e no espaço. Devia ter estado ligado a uma outra máquina, muito mais complexa, operando com base em princípios que ninguém podia imaginar, a bordo da nave de Karellen. Era necessário apenas ajustar os controles para que se abrisse uma janela para o passado. Quase toda a história da humanidade, relativa aos últimos cinco mil anos, se tornava acessível num instante. A máquina não cobria eras anteriores e em todas elas havia vazios intrigantes, que podiam ter uma causa natural, ou serem devidos a uma censura por parte dos Senhores Supremos.

Embora sempre tivesse sido evidente, a qualquer espírito racional, ser impossível que todos os escritos religiosos existentes no mundo fossem verdadeiros, o choque foi, não obstante, profundo.



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