A primeira era um anticoncepcional oral completamente infalível. A segunda, um método igualmente infalível — tanto quanto as impressões digitais e baseado numa análise muito acurada do sangue — de identificação do pai de qualquer criança. O efeito dessas duas invenções sobre a sociedade humana só poderia ser descrito como devastador e acabara por varrer os últimos vestígios da aberração puritana.

Outra grande mudança fora a extrema mobilidade da nova sociedade. Graças à perfeição do transporte aéreo, todo mundo podia ir para onde quisesse quando bem desejasse. Havia mais espaço nos céus do que jamais houvera nas estradas, e o século XXI repetira, em escala maior, o grande sonho americano de pôr uma nação sobre rodas. Dera asas ao mundo.

Mas não literalmente. O avião particular comum, ou carro aéreo, não tinha asas, nem quaisquer superfícies visíveis de controle. Até mesmo as lâminas giratórias dos velhos helicópteros haviam desaparecido. Contudo, o homem não descobrira a antigravidade; só os Senhores Supremos detinham esse segredo. Os carros aéreos dos homens eram impelidos por forças que os irmãos Wright teriam compreendido. A propulsão a jato, utilizada tanto diretamente, como sob a forma mais sutil de controle de camadas, impelia os aviões para a frente e os mantinha no ar. Os pequenos e onipresentes carros aéreos haviam derrubado, como nenhuma lei de- cretada pelos Senhores Supremos poderia ter feito, as últimas barreiras entre as diferentes tribos da humanidade.

Coisas mais profundas também tinham ocorrido. Tratava-se de uma era inteiramente secular. De todas as fés religiosas que haviam existido antes da chegada dos Senhores Supremos, apenas uma forma de budismo purificado — talvez a mais austera das religiões — sobrevivia ainda.



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