
Talvez os Senhores Supremos tivessem a resposta para isso, como para todos os demais problemas. Ninguém sabia — como tampouco não se sabia, uma geração após eles terem chegado, qual seu objetivo final. A humanidade acostumara-se a confiar neles e a aceitar, sem questionar, o altruísmo sobre-humano que durante tanto tempo mantivera Karellen e seus companheiros longe de seu mundo.
Quando Rupert Boyce mandou os convites para sua festa, expediu-os para os quatro cantos do mundo. Tomando, por exemplo, apenas os primeiros doze convidados, havia os Foster, em Adelaide, os Shoenberger, no Haiti, os Farran, em Stalingrado, os Moravia, em Cincinnati, os Invanko, em Paris, e os Sullivan, nas vizinhanças da ilha da Páscoa, mas uns quatro quilômetros abaixo, no leito oceânico. Rupert sentiu-se lisonjeado pelo fato de que, embora tivesse convidado apenas trinta pessoas, mais de quarenta apareceram. Só os Krause deram o bolo e isso porque se esqueceram de regular os relógios pela hora internacional e chegaram vinte e quatro horas depois.
Por volta do meio-dia, uma impressionante coleção de carros aéreos se acumulara no parque e os que chegassem mais tarde teriam que andar um bocado, depois de haverem encontrado um lugar onde pousar. Pelo menos, a distância lhes pareceria grande, sob aquele céu sem nuvens e a uma temperatura de mais de quarenta e dois graus centígrados. Os veículos ali reunidos iam desde os Flitterbugs para uma só pessoa até os Cadillacs familiares, que mais pareciam palácios aéreos do que pura e simplesmente máquinas voadoras. Nessa era, porém, nada se podia deduzir do status social dos convidados através de seus meios de transporte.
— Que casa feia! — comentou Jean Morrei, à medida que seu Meteor descia em espiral. — Parece uma caixa que alguém tivesse pisado.
