
— Hã, não — recusou Rincewind. — Talvez o senhor esteja certo. Acho que vou descansar um pouco.
— Boa idéia.
Rincewind atravessou os frios corredores de pedra. De vez em quando, tocava a parede e aguçava os ouvidos, então sacudia a cabeça.
Ao cruzar o pátio novamente, viu um bando de camundongos galgar a varanda e correr em direção ao rio. O chão em que pisavam também parecia se mover. Quando Rincewind se aproximou, notou que era porque estava coberto de formigas.
Aquelas não eram formigas comuns. Séculos de infiltração mágica nas paredes da Universidade haviam feito coisas estranhas a elas. Algumas puxavam pequenos carrinhos, outras seguiam montadas em besouros, mas todas abandonavam a Universidade o mais rápido possível. A grama ondulava a medida que passavam. Ele ergueu os olhos quando um velho colchão listrado foi lançado da janela e despencou no chão de pedras. Depois de uma pausa, aparentemente para tomar fôlego, o objeto levantou-se um pouco do chão. Depois, começou a avançar decidido pelo gramado e partiu para cima de Rincewind, que conseguiu sair do caminho na hora certa. Ele ouviu um chiado agudo e avistou milhares de perninhas determinadas debaixo da estrutura. Até os percevejos estavam de mudança e, para o caso de não acharem alojamento confortável em nenhum outro lugar, usavam de precaução. Um deles acenou para o mago e chiou em saudação.
Rincewind recuou, até alguma coisa lhe tocar a parte de trás das pernas e lhe congelar a espinha. Era apenas um banco de pedra. Ele observou-o durante algum tempo. O banco não parecia com pressa de fugir para lugar nenhum. Rincewind se sentou, agradecido.
Provavelmente existe urna explicação lógica para tudo isso, pensou. Ou, pelo menos, uma explicação ilógica perfeitamente normal.
Um ruído de pedras fez com que olhasse para o outro lado do jardim.
Não havia nenhuma explicação lógica para aquilo. Com inacreditável lentidão, descendo por parapeitos e canos de escoamento em silêncio absoluto, afora o ocasional rangido de pedra sobre pedra, as gárgulas vinham deixando o telhado.
