— Ah, é o, hum, Rincewind, não é? Perguntou o tesoureiro, sem muito entusiasmo. — Qual é o problema?

— Estamos afundando!

Por alguns instantes, o tesoureiro limitou-se a encará-lo. Seu nome era Lingote. Era alto, magro e parecia ter sido um cavalo em vidas passadas. Sempre dava a impressão de estar olhando para a pessoa por meio dos dentes.

— Afundando?

— É. Os ratos estão fugindo!

O tesoureiro encarou-o outra vez.

— Entre, Rincewind — convidou, com gentileza.

Rincewind seguiu-o pela sala baixa e escura até a janela. Ela dava vista para os jardins e o rio, a fluir tranqüilamente em direção ao mar.

— Você não está, hum, exagerando? — perguntou o tesoureiro.

— Exagerando em quê? — indagou Rincewind, com a consciência pesada.

— Isso aqui é um prédio, entende? — disse o tesoureiro. Como a maioria dos magos, quando confrontados com um problema, ele começou a enrolar um cigarro. — Não é um navio. Tem algumas diferenças. Ausência de golfinhos brincando em volta da proa, falta de quilha, esse tipo de coisa. As chances de afundar são remotas. Senão, hum, teríamos de encher os porões e remar até a praia. Hum?

— Mas os ratos…

— Algum navio de cereal no porto. Uma espécie de, hum, ritual primaveril.

— Tenho certeza de que também senti a Universidade tremer — arriscou Rincewind, ligeiramente incerto.

Naquela sala silenciosa, com o fogo crepitando na lareira, nada daquilo parecia real.

— Um tremor passageiro. Grande A’Tuin com soluço, hum, talvez. O que você precisa é se controlar. Tem bebido?

— Não!

— Hum. Gostaria?

Lingote dirigiu-se ao armário de madeira escura e tirou duas taças, que encheu com o jarro de água.

— Prefiro xerez a essa hora do dia — disse, abrindo as mãos sobre as taças. — Diga, hum, seco ou suave?



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