
— UM FONTICEIRO, COMO VOCÊ BEM SABE.
Um trovão ecoou no momento certo.
— Qual é o destino dele? — gritou Ipslore, mais alto que o barulho crescente do vento.
Morte encolheu os ombros outra vez. Era bom no negócio.
— OS FONTICEIROS TRAÇAM SEU PRÓPRIO DESTINO. TOCAM O MUNDO DE LEVE.
Ipslore apoiou-se na vara, tamborilando os dedos no metal, aparentemente perdido no labirinto de seus pensamentos. A sobrancelha esquerda se franziu.
— Não — murmurou. — Eu vou traçar o destino dele.
— NÃO RECOMENDO.
— Cale-se! Eles me expulsaram, com seus livros, rituais e doutrinas! Consideram-se magos, mas possuem menos magia naqueles corpos gordos do que eu tenho no dedo mindinho! Expulso! Eu! Por mostrar que sou humano? E o que seriam os seres humanos sem amor?
— RAROS — respondeu Morte. — TODAVIA…
— Escute! Eles nos obrigaram a vir para cá, para este fim de mundo, e isso matou minha mulher! Tentaram ficar com a minha vara! — Ipslore gritava acima do barulho do vento. — Bem, ainda me resta algum poder — continuou. — E digo que meu filho vai para a Universidade Invisível, usará o chapéu de arqui-reitor, e todos os magos do mundo se curvarão aos seus pés! Ele vai mostrar a todos o que existe no fundo do coração de cada um. Covardes e gananciosos corações. Vai mostrar ao mundo seu verdadeiro destino, e não haverá magia maior que a sua.
— NÃO.
E o estranho no modo silencioso de Morte dizer a palavra foi o seguinte: ela saiu mais alto que o bramido da tempestade. O que fez com que Ipslore recobrasse momentaneamente a sanidade.
Então ele oscilou para frente e para trás, incerto.
— O quê? — perguntou.
— EU DISSE NÃO. NADA É ABSOLUTO. NADA É DEFINITIVO. A NÃO SER EU, É CLARO. ESSA MANIPULAÇÃO DO DESTINO PODERIA SIGNIFICAR A RUÍNA DO MUNDO. PRECISA HAVER UMA CHANCE DE ESCAPE, POR MENOR QUE SEJA. OS ADVOGADOS DO DESTINO EXIGEM UMA BRECHA EM TODA PROFECIA.
