
— Você levou a mãe dele — disse Ipslore.
Era uma constatação, sem nenhum rancor aparente. No vale, atrás dos penhascos, a propriedade de Ipslore resumia-se, agora, a escombros fumegantes, com o vento nascente espalhando as delicadas cinzas pelas dunas uivantes.
— FOI ATAQUE CARDÍACO — observou Morte. — EXISTEM MANEIRAS PIORES DE MORRER. VÁ POR MIM.
Ipslore olhou o mar.
— Nem toda a minha magia pôde salvá-la — lamentou.
— HÁ LUGARES AONDE NEM A MAGIA PODE IR.
— Agora você veio pelo menino?
— NÃO. O MENINO TEM SEU PRÓPRIO DESTINO. VIM BUSCAR VOCÊ.
— Ah.
O mago se levantou, cuidadosamente depositou o bebê adormecido na grama rala e pegou a vara comprida que estava ali.
O bastão era feito de metal preto, com uma malha de prata e inscrições douradas que lhe conferiam um mau gosto suntuoso e sinistro. O metal era octirona, intrinsecamente mágico.
— Fui eu que fiz, sabia? — disse. — Todos diziam que não se pode fazer vara de metal, que precisa ser de madeira. Mas estavam errados. Botei muito de mim mesmo nisso. Vou dar a vara para o meu filho.
Ele correu as mãos afetuosamente pelo bastão, que soltou um tinido leve. E, quase para si mesmo, repetiu:
— Botei muito de mim mesmo nisso aqui.
— É UMA BOA VARA — notou Morte.
Ipslore suspendeu-a no ar e fitou o oitavo filho, que ressonava.
— Ela queria uma menina — comentou.
Morte encolheu os ombros. Ipslore dirigiu-lhe um olhar que misturava perplexidade e raiva.
— O que ele é?
— O OITAVO FILHO DE UM OITAVO FILHO DE UM OITAVO FILHO — respondeu Morte, sem ajudar muito.
O vento lhe agitou o manto, levando as nuvens negras para cima.
— O que isso quer dizer?
