Ipslore ficou de pé e estendeu a vara de metal brilhante em direção ao filho. Uma pequenina mão semelhante a um caranguejo rosado saiu de baixo do cobertor e segurou-a.

— Então, deixe-me ser o primeiro e último mago na história do mundo a passar a vara ao oitavo filho — começou ele, lenta e sonoramente. — E eu o encarrego de usá-la…

— EU ME APRESSARIA, SE FOSSE VOCÊ…

— … ao máximo — continuou Ipslore —, tornando-se o mais poderoso…

Um raio estourou no meio da nuvem, atingiu Ipslore na ponta do chapéu, desceu pelo braço, passou cintilando pela vara e acertou a criança.

O mago desapareceu num fio de fumaça. A vara brilhou em tom verde, depois branco e, em seguida, somente afogueado. A criança sorriu no sonho.

Quando o raio se foi, Morte estendeu os braços e pegou o menino, que abriu os olhos. Eles tinham um fulgor dourado. Pela primeira vez no que, por falta de palavra melhor, deve ser chamado de “sua vida”, Morte se pegou fitando um olhar que achou difícil retribuir. Os olhos pareciam voltar-se para um ponto no interior de sua caveira.

Não era minha intenção que isso acontecesse, soou, no ar, a voz de Ipslore. Ele está ferido?

— NÃO.

Morte desviou os olhos daquele sorriso ao mesmo tempo tenro e sagaz.

— ELE TEM O PODER. É FONTICEIRO. SEM DÚVIDA, VAI SOBREVIVER A COISAS PIORES. E AGORA… VOCÊ VEM COMIGO.

Não.

— SIM. VOCÊ ESTÁ MORTO.

Morte correu as órbitas oculares à volta, em busca da sombra oscilante de Ipslore, mas não conseguiu achá-la.

— ONDE ESTÁ VOCÊ?

— Na vara.

Morte apoiou-se na foice e suspirou.

— IDIOTA. NÃO ME CUSTA NADA TIRÁ-LO DAÍ.

Não sem destruir a vara, irrompeu a voz de Ipslore, parecendo a Morte que ele agora possuía certo ar de triunfo. E, agora que o menino aceitou a vara, você não pode destruí-la sem destruir a ele também. E isso você não pode fazer sem perturbar o destino. Minha última mágica. Caprichada.



6 из 238