
O lama vacilou durante uma fração de segundo e Wagner se perguntou se o tinha ofendido.
Em todo caso, não houve rastro alguma de zanga na resposta.
— Chame-o de ritual, se quiser, mas é uma parte fundamental de nossas crenças. Os numerosos nomes do Ser Supremo que existem: Deus, Jehová, Alá, etcétera, só são etiquetas feitas pelos homens. Isto encerra um problema filosófico de certa dificuldade, que não me proponho discutir, mas em algum lugar entre todas as possíveis combinações de letras que se podem fazer estão os que se poderiam chamar de verdadeiros nomes de Deus. Mediante uma permutação sistemática das letras, tentamos elaborar uma lista com todos esses possíveis nomes.
— Compreendo. começaram com o AAAAAAA… e continuaram até o ZZZZZZZ…
— Exatamente, embora nós utilizemos um alfabeto especial próprio. Modificando os tipos eletromagnéticos das letras, arruma-se tudo; e isto é muito fácil de fazer. Um problema bastante mais interessante é o de desenhar circuitos para eliminar combinações ridículas. Por exemplo, nenhuma letra deve figurar mais de três vezes consecutivas.
— Três? Certamente você quer dizer dois.
— Três é o correto. Temo que me ocuparia muito tempo explicar o por que, mesmo que você entendesse nossa língua.
— Estou seguro disso — disse Wagner, apressadamente — Continue.
— Por sorte, será fácil adaptar seu computador de seqüência automática a esse trabalho, posto que, uma vez sendo programado adequadamente, permutará cada letra por turno e imprimirá o resultado. O que iria demor quinze mil anos se poderá fazer em cem dias.
O doutor Wagner ouvia os débeis ruídos das ruas de Manhattan, muito abaixo. Estava em um mundo diferente, um mundo de montanhas naturais, não construídas pelo homem. Nas remotas alturas de seu longínquo país, aqueles monges tinham trabalhado com paciência, geração após geração, enchendo suas listas de palavras sem significado. Havia algum limite às loucuras da humanidade? Não obstante, não devia insinuar seus pensamentos.
