
O cliente sempre tinha razão…
— Não há dúvida — replicou o doutor — de que podemos modificar o Mark V para que imprima listas deste tipo. Mas o problema da instalação e a manutenção já me preocupa mais. Chegar ao Tibet nos tempos atuais não vai ser fácil.
— Nos encarregaremos disso. Os componentes são bastante pequenos para podermos transportar de avião. Este é um dos motivos de ter eleito sua máquina. Se você pode fazer chegar à Índia, nós proporcionaremos o transporte dali em diante.
— E querem contratar dois de nossos engenheiros?
— Sim, para os três meses que se supõe que dure o projeto.
— Não duvido de que nossa seção de pessoal lhes proporcionará as pessoas idôneas. — O doutor Wagner fez uma anotação na caderneta que tinha sobre a mesa — há outras duas questões — antes de que pudesse terminar a frase, o lama tirou uma pequena folha de papel.
— Isto é o saldo de minha conta do Banco Asiático.
— Obrigado. Parece ser… hum… adequado. A segunda questão é tão corriqueira que vacilo em mencioná-la… mas é surpreendente a freqüência com que o que consideramos óbvio acaba nos atrapalhando. Que fonte de energia elétrica vocês tem?
— Um gerador diesel que proporciona cinqüenta kilowatts a cento e dez volts. Foi instalado faz uns cinco anos e funciona muito bem. Faz a vida no monastério muito mais cômoda, mas, certamente, na realidade foi instalado para proporcionar energia aos alto-falantes que emitem as preces.
— Certamente — admitiu o doutor Wagner. — Devia ter imaginado.
A vista do parapeito era vertiginosa, mas com o tempo se acostuma a tudo.
Depois de três meses, George Hanley não se impressionava pelos dois mil pés de profundidade do abismo, nem pela visão remota dos campos do vale semelhantes a quadrados de um tabuleiro de xadrez. Estava apoiado contra as pedras polidas pelo vento e contemplava com displicência as distintas montanhas, cujos nomes nunca se preocupou de averiguar.
