Meu tio era secundado em seus trabalhos por seu colaborador Robert Menard, um homem de quarenta anos, algo apagado, porém de grande sabedoria, e por um exército de astrônomos, matemáticos e técnicos, os quais estavam ausentes, já que se encontravam em comissão de serviço ou em férias, quando se produziu o cataclismo.

Naquele momento, não tinha ao seu lado mais ninguém além de Menard e seus dois alunos Michel e Martina Sauvage, que eu já conhecia.

(Michel morreu há seis anos e Martina, vossa avó, me deixou, como já sabeis, faz somente três meses. Naquela época, eu estava muito distante de imaginar os sentimentos que iriam me unir a eles.) Para dizer a verdade, eu estava satisfeito em estar com meu tio e meu irmão — Menard não contava em absoluto — e, devido ao meu temperamento solitário, achava— os hóspedes inconvenientes, apesar, ou melhor, talvez por causa de sua juventude.

Michel tinha então trinta anos e Martina vinte e dois.

Foi exatamente a 12 de julho de 1975, às quatro da tarde, quando tive notícias dos primeiros sinais anunciadores do cataclismo.

Terminava de fazer minhas malas, quando chamaram à porta. Fui abrir e me detive ante a visita do meu primo Bernard Verilhac, geólogo como eu. Três anos atrás ele havia tomado parte na primeira expedição Terra-Marte. No ano anterior tinha ido embora.

— De onde vens agora? — perguntei-lhe.

— Estávamos dando uma pequena volta, sem escala, além da órbita de Netuno.

Como um cometa.

— Em tão pouco tempo?

— Paul aperfeiçoou positivamente nossa velha astronave, «Rosny». Agora alcança 2.000km com facilidade. Por segundo!

— Como foi a viagem?

— Magnífica. Tiramos um monte de fotos esplêndidas. Porém a volta foi difícil.



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