— Algum acidente?

— Não. Fomos desviados. Paul e Claude Romkier, o astrônomo de bordo, explicam isto pela incursão de uma enorme massa material, porém invisível, passando pelo sistema solar. Porém Sigurd não compartilha desta opinião e Ray Mad Lee, nosso jornalista, crê que os cálculos da volta se realizaram depois de se celebrar em excesso a passagem pela órbita Netuniana.

Consultou seu relógio.

— São 4:20. Vou embora. Felizes férias! Quando virão conosco? Próximo objetivo: os satélites de Júpiter Com certeza haverá trabalho para dois geólogos, no mínimo.

Ali terás um bom tema para a tese, bastante novo, pelo menos. Voltaremos a falar disto. Tenho a intenção de passar para ver teu tio este verão.

Fechou a porta atras dele.

Jamais voltaríamos a nos ver. Meu velho Bernard! Com certeza está morto. Teria já noventa e seis anos. Sustentava que os marcianos possuem o segredo de dobrar a vida dos homens. Talvez ainda viva, em algum lugar do Espaço. Se soubesse o que iria acontecer não o teria abandonado.

Com meu irmão, tomei o trem naquela mesma noite. No dia seguinte, cerca de quatro horas da tarde, chegamos à estação de… não importa o nome, não o tenho anotado e não posso recordar-me dele. Era uma estação pequena e insignificante.

Nos aguardavam. Apoiado em um carro, um homem jovem, ruivo e mais alto que eu, fez-nos sinais e em seguida se apresentou.

— Michel Sauvage. Seu tio se desculpa por não poder vir, já que se acha retido por um trabalho importante e urgente.

— Ainda com as nebulosas? — perguntou meu irmão.

— Não com as nebulosas. Melhor ainda, no Universo. Ontem à noite eu quis fotografar Andrômeda, por causa de uma «supernova» que havíamos descoberto. Fiz o cálculo para focar o grande telescópio e, afortunadamente, por curiosidade, dei uma olhada pela ocular, o pequeno telescópio que se regula paralelamente ao grande «Tele». Andrômeda não estava lá. Encontrei-a… a 18 graus da sua posição normal!



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