
Em recessos ao longo das paredes havia centenas de cubículos. Pessoas corriam para eles e voltavam a sair, apressadas, e deitavam para o chão fitas rasgadas — não eram fitas de telégrafo, mas sim qualquer outra coisa, com projecções feitas por furos. Outras caminhavam por cima dessas tiras. Quis ir-me embora. Por engano, entrei numa sala escura e, antes que tivesse tempo de sair, qualquer coisa zumbiu, brilhou um clarão, como o de uma lâmpada de flash, e de uma fenda envolta em metal, como de uma caixa de correio, saiu um bocado de brilhante papel dobrado em dois. Peguei-lhe e abri-o. Emergiu um rosto de boca aberta, lábios ligeiramente torcidos, magro, a olhar-me através de olhos semicerrados: eu próprio! Dobrei o papel em dois e a sombra plástica desapareceu. Afastei devagarinho as arestas: nada. Afastei-as mais: reapareceu, vinda não sei de onde, uma cabeça separada do resto do corpo, pairando acima do papel com uma expressão não muito inteligente. Contemplei por momentos o meu próprio rosto. Que era aquilo, fotografia tridimensional? Meti o papel na algibeira e saí. Um inferno dourado pareceu descer sobre a multidão, um tecto feito de magma ardente, irreal, mas a vomitar chamas reais. E ninguém prestava atenção. Os que tinham assuntos a tratar corriam de uma cabina para outra. Mais atrás, saltaram colunas de letras verdes, enquanto colunas de números fluíam por estreitos écrans abaixo. Outras cabinas tinham portinholas em vez de portas, as quais se levantavam rapidamente quando alguém se aproximava. Finalmente, encontrei uma saída.
Um corredor curvo, com o chão inclinado, como às vezes encontrávamos no teatro. Irrompiam das paredes conchas estilizadas, enquanto em cima se sucediam sem parar as palavras infor infor infor.
A primeira vez que vira um infor tinha sido em Luna e julgara tratar-se de uma flor artificial.