Os argumentos em contrário que ouvira de Abs tinham sido inconvincentes — eu próprio poderia ter arranjado melhores. Só que tinham insistido numa coisa: que cada um de nós voasse separadamente. Nem sequer tinham ficado aborrecidos comigo por ter levado Olaf a rebelar-se (sim, porque se não fora eu ele teria sem dúvida nenhuma concordado em ficar mais tempo). Isso tinha sido estranho. Eu esperara complicações, qualquer coisa que estragasse o meu plano no último momento, mas não acontecera nada e ali estava, a voar. Aquela viagem decisiva terminaria dentro de 15 minutos.

Era evidente que a minha intenção, assim como a maneira como me apresentara perante eles para defender uma partida antecipada, os não surpreendera. Deviam ter catalogada uma reacção desse tipo, devia tratar-se de um padrão de comportamento característico de um cajmeirão como eu, designado por um número de série apropriado nas suar tabelas psicotécnicas. Tinham-me autorizado a voar. Porquê? Porque a experiência lhes dissera que não conseguiria desenvencilhar-me sozinho? Mas como poderia isso ser, se toda aquela fuga para a «independência» envolvia voar de um terminal para outro, onde alguém da secção terrestre da Adaptação estaria à minha espera e tudo quanto eu teria de fazer seria encontrá-lo num lugar antecipadamente combinado?

Aconteceu qualquer coisa. Ouvi vozes que se erguiam. Debrucei-me do meu lugar. Diversas filas à minha frente uma mulher empurrou a hospedeira que, com um movimento lento e automático, como que resultante do em purrão — embora este não tivesse sido assim tão forte —, recuava pela coxia gbaixo, enquanto a mulher repetia: «Não consinto! Não deixes aquilo tocar-me!» Não pude ver a cara de quem falava. O companheiro puxava-lhe o braço e dizia qualquer coisa para a acalmar. Qual seria o significado daquela pequena cena? Os outros passageiros não lhe ligaram a mínima importância. Pela centésima vez senti-me possuído por um sentimento de incrível alienação. Levantei a cabeça e olhei para a hospedeira, que parara a meu lado e sorria como antes. Não se tratava de um sorriso meramente exterior, de polidez facial, de um sorriso destinado a ocultar um incidente desagradável. Ela não fingia estar calma: estava de facto calma.



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