
Só que comerei os sanduíches com culpa, porque estou engordando; e não irei mais a bares, porque tenho um marido que me espera em casa para cuidar dos filhos.
A partir dai, é esperar os meninos crescerem, e ficar todo dia pensando no suicídio, sem coragem de comete-lo. Um belo dia, chego a conclusão que a vida é assim, não adianta, nada mudará. E me conformo.
Veronika encerrou seu monologo interior, e fez uma promessa a si mesmo: não sairia de Villete com vida. Era melhor acabar com tudo agora, enquanto ainda tinha coragem e saúde para morrer.
Dormiu e acordou várias vezes, notando o número de aparelhos a sua volta diminuia, o calor de seu corpo aumentava, e
as enfermeiras mudavam de rosto -mas sempre havia alguém ao lado dela. As cortinas verdes deixavam passar o som de alguém chorando, gemidos de dor, ou vozes que sussurravam coisas em tom calmo e técnico. De vez em quando um aparelho distante zumbia, e ela escutava passos apressados no corredor. Nestas horas, as vozes perdiam seu tom técnico e calmo, e passavam a ser tensas, dando ordens rápidas.
Num dos seus momentos de lucidez, uma enfermeira lhe perguntou:
— Você não quer saber o seu estado?
— Eu sei qual é — respondeu Veronika. — E não é o que você está vendo em meu corpo; é o que está acontecendo em minha alma.
A enfermeira ainda tentou conversar um pouco, mas Veronika fingiu que dormia.
Pela primeira vez, quando abriu os olhos, percebeu que havia mudado de lugar — estava no que parecia ser uma grande enfermaria. A agulha de um frasco de soro ainda continuava em seu braço — mas todos os outros fios e agulhas tinham sido retirados.
Um medico alto, com a tradicional roupa branca
