
É claro que ela também podia atirar-se de um dos poucos prédios altos de Lubljana, mas e o sofrimento extra que tal atitude terminaria causando aos seus pais? Além do choque de descobrir que a filha morrera, ainda seriam obrigados a identificar um corpo desfigurado: não, esta era uma solução pior do que sangrar até morrer, pois deixaria marcas indeléveis em duas pessoas que só queriam o seu bem.
«Com a morte da filha eles terminarão se acostumando. Mas um crânio esmagado deve ser impossível de esquecer».
Tiros, quedas de prédio, enforcamento, nada disso combinava com sua natureza feminina. As mulheres, quando se matam, escolhem meios muito mais românticos — como cortar os pulsos, ou tomar uma dose excessiva de comprimidos para dormir. As princesas abandonadas, e as atrizes de Hollywood deram bastante exemplos a este respeito.
Veronika sabia que a vida era uma questão de esperar sempre a hora certa para agir. E assim foi: dois amigos seus, sensibilizados com suas queixas de que não conseguia mais dormir, arranjaram — cada um — duas caixas de uma droga poderosa, que era utilizada por músicos de uma boate local. Veronika deixou as quatro caixas na sua mesa de cabeceira durante uma semana, namorando a morte que se aproximava, e despedindo-se — sem qualquer sentimentalismo — daquilo que chamavam Vida.
Agora estava ali, contente de ter ido até o final, e entediada porque não sabia o que fazer com o pouco tempo que lhe restava.
Voltou a pensar no absurdo que acabara de ler: como é que um artigo de computador pode começar com esta frase tão idiota: «Onde é a Eslovénia?»
