Não estava dormindo. Dormir era coisa que nunca fizera, coisa que pertencia a um mundo de dias e noites, e em Diaspar só havia dia. Esvaziar a mente constituía para ele a coisa mais próxima ao sono e, embora não fosse realmente indispensável, sabia que aquilo o ajudaria a pôr em ordem a mente.

Havia aprendido poucas coisas novas. Quase tudo o que Jeserac lhe dissera, ele já adivinhara antes. Uma coisa, porém, era ter adivinhado, e outra verificar que suas previsões estavam confirmadas além de qualquer possibilidade de contestação.

De que modo aquilo poderia afetar-lhe a vida? Não sabia ao certo, e a hesitação era uma sensação nova. Talvez não fizesse diferença. Se não conseguisse adaptar-se a Diaspar, nesta vida, ele o faria na próxima…

Mesmo enquanto formulava o pensamento, a mente o rejeitava. Diaspar podia bastar para o resto da humanidade, mas não para ele. Não tinha dúvida de que poderia gastar mil existências sem conhecer todas as maravilhas da cidade, sem provar todas as permutas de experiência que ela tinha a oferecer. Tudo isso eram coisas que ele poderia fazer… mas, se não fizesse outras, jamais ficaria satisfeito.

Só havia um problema a enfrentar: o que mais havia ali a ser feito?

A pergunta sem resposta tirou-o, de um só arranco, do devaneio. Não podia permanecer ali naquele inquieto estado de espírito, e só havia um lugar na cidade onde poderia encontrar alguma paz de espírito.

A parede tremulou e deixou de existir parcialmente quando ele a atravessou, saindo para o corredor, e suas moléculas polarizadas resistiram à passagem como um vento fraco a soprar em seu rosto. Existiam muitas maneiras pelas quais ele poderia ser transportado sem esforço, mas Alvin preferiu caminhar. O aposento achava-se quase no nível principal da cidade, e uma passagem curta deixou-o numa rampa em espiral que o levou até a rua. Alvin não tomou conhecimento da via móvel e dirigiu-se à calçada estreita — sem dúvida um gesto excêntrico, pois tinha diante de si um caminho de vários quilômetros. Mas ele apreciava o exercício, que lhe aliviava a mente. Além disso, havia tanto o que ver que seria tolice passar rapidamente pelas mais recentes maravilhas de Diaspar quando se dispunha de uma eternidade de vida.



17 из 265