Era costume dos artistas da cidade — e todos em Diaspar eram artistas — exibir de vez em quando suas últimas produções ao lado das vias móveis, de modo que os transeuntes pudessem admirá-las. Dessa maneira, bastavam alguns dias para que a população examinasse com espírito crítico qualquer criação digna de nota e expressasse sobre ela seus pontos de vista. O veredicto, gravado automaticamente por dispositivos de amostragem de opinião, que ninguém ainda tinha sido capaz de subornar ou ludibriar — e não faltavam tentativas disso —, decidia qual era a obra-prima. Se a votação fosse suficientemente conclusiva, a matriz dessa obra entrava para a memória da cidade. Quem assim desejasse poderia possuir, no futuro, uma cópia indistinguível do original. Todas as outras peças seguiam o destino de tais trabalhos: eram dissolvidas em seus elementos originais ou acabavam na residência de amigos dos artistas.

Alvin viu apenas um objet d'art que o impressionou realmente: era uma criação de pura vida, que lembrava vagamente uma flor que desabrochasse. Abrindo-se vagarosamente a partir de um minúsculo núcleo de cor, expandia-se em espirais e pétalas complexas. Depois, subitamente sucumbia e reiniciava o ciclo. Não exatamente o mesmo, pois não havia dois ciclos idênticos. Embora Alvin a examinasse durante uma vintena de pulsações, de cada feita ela apresentava diferenças sutis e indefiníveis. Mas o padrão básico era sempre o mesmo.

Ele sabia por que amava essa peça de escultura intangível. Seu ritmo expansivo dava a impressão de espaço e, também, de fuga. Por esse motivo, a obra não despertaria provavelmente a mesma emoção nos conterrâneos de Alvin. Anotou o nome do artista e decidiu procurá-lo na primeira oportunidade.



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