
Era verdade que a reprodução desde muito deixara de ser competência do corpo, por ser questão demasiado importante para ser entregue aos jogos do acaso em que os cromossomos eram usados como dados. Contudo, e embora a concepção e o nascimento já não representassem nem mesmo memórias, o sexo continuava a existir. Já nos tempos remotos, nem mesmo uma centésima parte da atividade sexual tinha relação com a reprodução. O desaparecimento desse simples um por cento havia mudado o padrão da sociedade humana e a significação de palavras como «pai» e «mãe» — mas permanecia o desejo, embora sua satisfação já não tivesse agora objetivo mais profundo senão a de quaisquer dos outros prazeres dos sentidos.
Alvin deixou os companheiros de geração e continuou em direção ao centro do parque. Viam-se ali caminhos claramente demarcados cruzando e recruzando fileiras de arbustos e vez por outra penetrando em estreitas ravinas entre grandes penhascos recobertos de líquen. Alvin a certa altura encontrou uma pequena máquina poliédrica, não maior do que a cabeça de um homem, flutuando entre as ramagens de uma árvore. Ninguém sabia quantas variedades de robôs havia em Diaspar, mantinham-se a distância e desincumbiam-se de suas tarefas com tal eficiência que era raríssimo encontrar um deles.
O solo começou a elevar-se de novo. Alvin estava-se aproximando da pequena colina no centro exato do parque e, portanto, da própria cidade. Havia ali menos obstáculos e voltas e ele tinha uma visão clara do topo da elevação e do edifício simples que a encimava. Estava um tanto ofegante ao chegar a seu destino. Mas satisfeito por poder descansar encostado afinal numa das colunas róseas e olhar o caminho que acabara de trilhar.
