
Não que Alvin fosse frio ou leviano. Mas nas coisas do amor, como em tudo mais, tinha-se a impressão de que ele buscava uma meta que Diaspar não lhe poderia fornecer.
Contudo, nada disso preocupava Jeserac. Um Único estaria certamente sujeito a tais distorções. No momento apropriado, Alvin passaria a obedecer às normas gerais da cidade. Ninguém, por mais excêntrico ou brilhante que fosse, seria capaz de afetar a inércia colossal de uma sociedade que permanecera praticamente imutável durante aproximadamente um bilhão de anos. Jeserac não se limitava a acreditar em estabilidade, para ele, além da estabilidade, nada mais era concebível.
— O problema que o afeta é muito antigo — disse ele a Alvin —, mas você ficaria surpreso ao saber quantas pessoas aceitam o mundo passivamente. É verdade que a raça humana ocupou no passado um espaço infinitamente maior do que o desta cidade. Você já viu um pouco do que a Terra era, antes que os desertos se alastrassem e os oceanos desaparecessem. Essas lembranças que você projeta com tanto prazer são as mais remotas que possuímos, as únicas que mostram o planeta antes da chegada dos Invasores. Não acredito que muita gente tenha visto essas imagens antigas. Aqueles espaços ilimitados, abertos para o infinito, não podem ser suportados por todos.
«E mesmo a Terra, veja bem, não passa de um grão de areia no Império Galáctico. O vazio entre os abismos interestelares constitui um pesadelo que nenhum homem saudável tentaria imaginar. Nossos ancestrais cruzaram esses abismos na aurora da história, quando saíram para construir o Império. Cruzaram-nos novamente quando os Invasores os expulsaram da face da Terra.»
