«A lenda diz (e trata-se apenas de uma lenda, veja) que celebramos um pacto com os Invasores. Poderiam ficar com o Universo que tanto desejavam, e nós nos contentaríamos com o mundo em que havíamos nascido.»

«Mantivemos o pacto e esquecemos os sonhos vãos de nossa infância, da mesma forma como você também esquecerá os seus, Alvin. Os homens que construíram esta cidade, e que planejaram a sociedade que ela gerou, eram senhores das mentes e da matéria. Colocaram dentro destas paredes tudo quanto a raça humana pudesse vir a desejar — e garantiram que jamais sairíamos daqui.»

«Ah, as barreiras físicas são as menos importantes. É possível que haja caminhos para fora da cidade, mas não creio que você os seguisse até o fim, caso os encontrasse. E mesmo que fosse bem sucedido, que vantagem obteria? Seu corpo não resistiria por muito tempo no deserto, quando a cidade o deixasse de proteger e nutrir.''

— Se existe um caminho para fora da cidade — disse Alvin devagar — o que me impede de ir embora?

— Essa é uma pergunta tola — respondeu Jeserac. — Acho que você já sabe a resposta.

Jeserac estava certo, mas de um modo diferente do que imaginava. Alvin realmente já sabia — ou melhor, adivinhara. Seus companheiros lhe haviam fornecido a resposta, tanto na vida consciente como nas aventuras oníricas que haviam compartilhado. Nunca tinham sido capazes de deixar Diaspar, o que Jeserac ignorava, entretanto, era que a compulsão que governava a vida deles não tinha nenhum poder sobre Alvin. Este não sabia se sua condição de Único havia sido causada por um acidente ou por desígnio antigo, mas uma de suas conseqüências tinha sido esta. E Alvin perguntava-se quantas dessas conseqüências ele teria ainda a desvendar.



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