— Mamã! Este é o Gino!

Esperava que houvesse uma cena desagradável. Até tinha prevenido Gino. Com grande surpresa minha ela disse secamente :

— Muito prazer…

E depois saiu da sala.

— Vais ver que tudo corre bem — disse Gino.

Aproximei-me dele, estendi-lhe a boca e acrescentei:

— Dá-me um beijo…

— Não, não — murmurou ele em voz baixa afastando-me. — Se eu fizesse isso, tua mãe teria muita razão em pensar mal de mim.

Gino sabia encontrar sempre as palavras exactas e perfeitas para cada momento. Tive de concordar para comigo que tinha razão. Minha mãe entrou pouco depois e, evitando olhar para Gino, disse:

— O jantar não chega porque eu não sabia… Mas vou sair e…

Não teve tempo de acabar porque Gino se aproximou imediatamente dela interrompendo-a:

— Por amor de Deus ! Eu não vim cá para que me dessem de jantar. Pelo contrário! Peço licença para as convidar a ambas…

Falava cerimoniosamente, como a pessoas da alta. Minha mãe, que não estava habituada a que lhe falassem assim, nem a receber convites, hesitou uns momentos olhando para mim.

Depois respondeu:

— Cá por mim, se a Adriana quiser…

— Podíamos comer na casa de pasto aqui ao lado… — propus eu.

— Onde quiserem — respondeu Gino.

Minha mãe declarou que ia tirar o avental e deixou-nos sós! Enchia-me uma enorme e ingénua alegria, tinha a impressão de que acabava de conseguir uma grande vitória quando na realidade isto tudo não passava de uma comédia, na qual eu era a única pessoa que permanecia completamente sincera. Aproximei-me de Gino, e antes que ele conseguisse impedir-me beijei-o com paixão. O meu beijo marcava o termo da ansiedade que me tinha atormentado tantos dias, a segurança de que mais nenhum obstáculo agora se ergueria contra o meu casamento, a minha gratidão por Gino pela sua atitude amável para com a minha mãe, a minha afeição por ele, uma afeição sincera, confiante e desarmada como só é possível sentir-se aos dezoito anos quando ainda nenhuma desilusão nos tocou e feriu a alma.



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