
Minha mãe jurara que em caso nenhum se encontraria com Gino e durante algum tempo respeitei o seu juramento. Mas depois dos primeiros beijos, Gino parecia extremamente desejoso de apôr tudo em ordem, como ele dizia, e todos os dias insistia comigo para ser apresentado a minha mãe. Não tinha coragem para lhe dizer que ela não o queria conhecer porque achava a sua profissão demasiado humilde e vi-me por isso forçada a encontrar constantemente pretextos para retardar essa ocasião. Por fim Gino compreendeu que eu lhe escondia qualquer coisa e insistiu tanto que me vi forçada a revelar-lhe a verdade.
— Minha mãe não te quer conhecer. Acha que eu devia casar-me com um homem rico e não com um chauffeur.
Esta conversa passava-se dentro do carro na ruazinha costumada do arrabalde. Gino olhou-me com tristeza, suspirando. Eu estava a tal ponto apaixonada por ele que nem me dei conta do que havia de fingido na sua maneira de falar.
— Eis o resultado de ser pobre! — exclamou.
Depois disso manteve-se num silêncio longo e teimoso.
— Humilha-me — respondeu ele baixando a cabeça. Outro qualquer no meu lugar nem teria falado em noivado, nem teria pedido para ser apresentado à tua mãe. É para que serve querer a gente portar-se bem!
— Que importância tem isso se tens a certeza do meu amor?
— O que eu devia ter feito — continuou ele — era apresentar-me com a carteira bem recheada e sem falar de casamento. Se fizesse isso, tua mãe abrir-me-ia os braços…
Não ousava contradizê-lo porque bem sabia que tudo quanto ele dizia era verdade.
— Sabes o que vamos fazer? — propus daí a momentos. Um destes dias levo-te lá a casa sem dizer nada. Desse modo minha mãe não terá outro remédio senão conhecer-te. Que demónio! Não pode chegar ao exagero de fechar os olhos!
Na noite combinada para isso conduzi Gino a nossa casa. Minha mãe tinha acabado a tarefa desse dia e estava a preparar uma ponta da mesa para jantarmos. Entrei à frente e disse simplesmente.
