E, no entanto, mais de meio milênio ainda restava e muito poderia ser feito pelas trinta gerações que ainda viveriam e morreriam na Terra, como seus ancestrais haviam feito. Poderiam no mínimo preservar o conhecimento da raça e as maiores criações da arte humana. Mesmo na aurora da era espacial, as primeiras sondas-robôs a deixarem o Sistema Solar já carregavam gravações de música, mensagens e imagens para o caso de serem encontradas por outros exploradores do Cosmos. E embora nenhum indício de civilizações alienígenas tivesse sido detectado na galáxia-pátria, até mesmo os mais pessimistas acreditavam que a inteligência deveria ocorrer em algum outro lugar, nos bilhões de universos-ilhas que se estendiam até onde os mais poderosos telescópios podiam enxergar.

Durante séculos, terabite sobre terabite de cultura e conhecimento humano foram irradiados na direção da galáxia de Andrômeda e de suas vizinhas mais distantes. Ninguém, é claro, nunca viria a saber se os sinais seriam captados e, caso o fossem, se poderiam ser interpretados. Mas a motivação era do tipo que a maioria dos homens poderia compartilhar: era o impulso de deixar alguma última mensagem, algum sinal dizendo „Olhem, eu também já vivi!”

Por volta do ano 3000 os astrônomos acreditavam que seus gigantescos telescópios tinham detectado todos os sistemas planetários num raio de quinhentos anos-luz do Sol. Dúzias de mundos com aproximadamente o tamanho da Terra tinham sido detectados, e alguns dos mais próximos toscamente mapeados. Vários deles tinham atmosferas que exibiam aquela inconfundível assinatura da vida: uma porcentagem de oxigênio anormalmente alta. Havia uma chance razoável de que homens pudessem sobreviver lá, se lá pudessem chegar.



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