
Os homens não podiam, mas o Homem poderia.
As primeiras naves semeadoras eram primitivas, mas ainda assim forçaram a capacidade tecnológica até os seus limites. Com os sistemas propulsores existentes em 2500 elas podiam alcançar os sistemas planetários mais próximos em duzentos anos de viagem, carregando sua preciosa carga de embriões congelados.
Mas esta era a mais simples de suas tarefas. Elas também tinham que transportar o equipamento automático que reviveria e criaria esses humanos em potencial, ensinando a cada um deles como sobreviver num ambiente desconhecido e provavelmente hostil. Teria sido inútil e cruel despejar crianças nuas e ignorantes em mundos tão inamistosos quanto o Saara ou a Antártida. Elas teriam que ser educadas, teriam que receber ferramentas e aprender a localizar e utilizar os recursos naturais. Depois que tivessem pousado e a nave semeadora se transformasse numa nave-mãe, ela teria que cuidar do produto de seu cultivo durante gerações.
E não apenas humanos tinham que ser transportados, mas uma biota completa. Plantas (embora ninguém soubesse se haveria solo para elas), animais de criação e uma variedade surpreendente de insetos e microorganismos essenciais no caso dos sistemas de produção de alimentos deteriorarem e se tornar necessária uma reversão das técnicas agrícolas básicas. Havia uma vantagem neste novo começo. Todas as doenças e parasitas que tinham afligido a humanidade desde o início do tempo seriam deixados para trás, para perecerem no fogo esterilizante da Nova Solis.
Bancos de dados, „sistemas autônomos” capazes de enfrentar qualquer situação concebível, robôs e mecanismos de reparos e apoio, tudo isso tinha que ser projetado e construído. E precisavam funcionar durante uma vida útil tão longa quanto o espaço de tempo que separava a Declaração da Independência Americana do primeiro pouso na Lua.
Embora a tarefa parecesse pouco possível, era tão inspiradora que a humanidade inteira se uniu para realizá-la. Aqui estava um objetivo de longo termo, o último objetivo de longo, prazo capaz de conferir algum significado à vida, mesmo depois que a Terra tivesse sido destruída.
