Desde o moimento em que a faculdade empática de Prilicla começara a colaborar no caso Conway tivera a certeza de que a base do problema era psicológica. Sabia também que um espírito severamente deformado podia fazer tremendos danos ao corpo onde estava alojado. Mas aquele dano tratava-se num nível puramente físico e o seu método de reparação — o tratamento desenvolvido e provado constantemente pela Patologia — era também um facto físico, bem concreto. E nenhum espírito, qualquer que fosse o seu poder ou grau de desarranjo, poderia ignorar ou negar por completo um facto físico. O Universo tinha, no fim de tudo, certas leis físicas.


Tanto quanto Conway podia ver, havia apenas duas explicações possíveis. Ou as regras tinham sido ignoradas porque o Ser que as criara tinha também o direito de as ignorar ou alguém, de algum modo — ou qualquer combinação de circunstâncias, ou qualquer dado mal interpretado — andava a transtornar tudo. Conway preferia infinitamente a segunda teoria porque a primeira era sem dúvida demasiado perturbadora para ser considerada seriamente. Queria desesperadamente continuar a pensar no seu paciente com um «p» minúsculo…


No entanto, quando saiu da sala, Conway foi visitar o comandante Bryson, o capelão do Corpo de Monitores, e consultou esse oficial durante algum tempo sobre motivos semiprofissionais — Conway gostava de ter um máximo de segurança. A sua visita seguinte foi ao coronel Skempton, o oficial encarregado do Abastecimento, Manutenção e Comunicações, no Hospital. Ali ele requereu que fossem enviadas ao seu quarto cópias completas do livro de bordo do paciente — não apenas as secções referentes ao crime — juntamente com quaisquer outros dados disponíveis. Depois foi à sala de operações AUGL demonstrar técnicas operatórias em formas de vida submarinas. Antes do jantar pôde trabalhar duas horas na Patologia e durante esse tempo descobriu muita coisa sobre a imortalidade do paciente.



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