
Isso podia indicar complicações psicológicas, e nesse caso teria de procurar auxílio especializado. Um dos seus colegas telepáticos seria a opção óbvia, se não fora o facto de os telepatas raramente poderem trabalhar com cérebros que não fossem já telepáticos e das mesmas espécies que eles. Excepto em casos muito raros, a telepatia era um circuito de comunicação estreitamente fechado. O que o levava ao seu amigo GLNO, o empata Dr. Prilicla…
Atrás dele, o tenente tossiu baixinho e disse: — Quando acabar o exame, Doutor, O’Mara gostaria de lhe falar.
Conway moveu a cabeça afirmativamente. Sorriu e disse: — Vou mandar alguém vigiar o doente; guardá-lo tão bem como você está a guardar-me.
Ao dirigir-se à enfermaria principal, Conway destacou uma enfermeira humana — uma enfermeira de muito boa aparência — para ir servir na sala de observações. Devia ter enviado um dos FGLI Tralthanos, uma espécie que tinha seis pernas e era tão forte que perante uma das suas criaturas um elefante terreno teria parecido uma criatura tão frágil como uma sílfide, mas sentia que devia alguma coisa ao tenente, pela maneira como o tratara a princípio.
Vinte minutos depois, ao fim de três mudanças de couraças protectoras e uma travessia da secção de cloro, um corredor pertencente aos respiradores de água AUGL e as enfermarias ultra-refrigeradas das formas de vida de metano, Conway apresentou-se no gabinete do major O’Mara.
Como Psicólogo-Chefe de um hospital multiambiental flutuando nas trevas frígidas da periferia da Galáxia, ele era responsável pelo bem-estar mental de um quadro de dez mil criaturas de oitenta e sete espécies diferentes.
