
— Os tesouros são levantados da terra pela torrente de água, e enterrados por estas mesmas enchentes — disse o velho. — Se você quiser saber sobre seu tesouro, terá que me ceder um décimo de suas ovelhas.
— E não serve um décimo do tesouro?
O velho ficou decepcionado.
— Se você sair prometendo o que ainda não tem, vai perder sua vontade de consegui-lo.
O rapaz então contou que tinha prometido um décimo à cigana.
— Os ciganos são espertos — suspirou o velho. — De qualquer maneira é bom você aprender que tudo na vida tem um preço.
É isto que os Guerreiros da Luz tentam ensinar.
O velho devolveu o livro ao rapaz.
— Amanhã, nesta mesma hora, você me traz um décimo de suas ovelhas. Eu lhe ensinarei como conseguir o tesouro escondido. Boa tarde.
E sumiu numa das esquinas da praça.
O rapaz tentou ler o livro, mas não conseguiu concentrar-se mais. Estava agitado e tenso, porque sabia que o velho falava a verdade.
Foi até o pipoqueiro, comprou um saco de pipocas, enquanto pensava se devia ou não contar a ele o que o velho dissera.
«Às vezes é melhor deixar as coisas como estão», pensou o rapaz, e ficou quieto. Se dissesse algo, o pipoqueiro ia ficar três dias pensando em largar tudo, mas estava muito acostumado com sua carrocinha.
Ele podia evitar este sofrimento ao pipoqueiro.
Começou a andar sem rumo pela cidade, e foi até o porto.
Havia um pequeno prédio, e no prédio havia uma janelinha onde as pessoas compravam passagens. O Egito estava na África.
— Quer alguma coisa? — perguntou o sujeito no guichê.
— Talvez amanhã — disse o rapaz se afastando.
Se vendesse apenas uma ovelha podia chegar até o outro lado do estreito. Era uma ideia que o apavorava.
— Mais um sonhador — disse o sujeito do guichê ao seu assistente, enquanto o rapaz se afastava. — Não tem dinheiro para viajar.
