Um velho, com todo aquele ouro no peito, não precisava mentir para ganhar seis ovelhas.

O velho lhe havia falado de sinais. Enquanto atravessava o mar, ele havia pensado nos sinais. Sim, sabia do que ele estava falando: durante o tempo em que estivera nos campos de Andaluzia, havia se acostumado a ler na terra e nos céus as condições do caminho que devia seguir.

Aprendera que certo pássaro indicava uma cobra por perto, e que determinado arbusto era sinal de água daqui a alguns quilómetros. As ovelhas lhe haviam ensinado isto.

«Se Deus conduz tão bem as ovelhas, também conduzirá o homem», refletiu, e ficou mais tranquilo. O chá parecia menos amargo.

— Quem é você? — ouviu uma voz em espanhol.

O rapaz ficou imensamente aliviado. Estava pensando em sinais e alguém tinha aparecido.

— Como você fala espanhol? — perguntou. O recém-chegado era um rapaz vestido à maneira dos ocidentais, mas a côr de sua pele indicava que devia ser daquela cidade.

Tinha mais ou menos sua altura e sua idade.

— Quase todo mundo aqui fala espanhol. Estamos há apenas duas horas da Espanha.

— Sente-se e peça alguma coisa por minha conta — disse o rapaz. — E peça um vinho para mim. Detesto este chá.

— Não há vinho no país — disse o recém-chegado. — A religião não permite.

O rapaz disse então que precisava chegar até as Pirâmides.

Quase ia falando do tesouro, mas resolveu ficar calado.

Senão era bem capaz do árabe querer uma parte para levá-lo até lá.

Lembrou-se do que o velho lhe dissera a respeito de ofertas.

— Gostaria que me levasse até lá, se puder. Posso lhe pagar como guia.

— Você tem ideia de como chegar até lá?

O rapaz reparou que o dono do bar estava por perto, ouvindo atentamente a conversa. Sentia-se incomodado com a presença dele. Mas tinha encontrado um guia, e não ia perder esta oportunidade.



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