
— Você tem que atravessar todo o deserto de Saara — disse o recém-chegado. — E para isto precisamos de dinheiro. Quero saber se você tem dinheiro suficiente.
O rapaz achou estranha a pergunta. Mas confiava no velho, e o velho lhe falara que quando se quer uma coisa, o universo sempre conspira a favor.
Tirou seu dinheiro do bolso e mostrou ao recém-chegado. O dono do bar aproximou-se e olhou também. Os dois trocaram algumas palavras em árabe. O dono do bar parecia irritado.
— Vamos embora — disse o recém-chegado.
— Ele não quer que continuemos aqui.
O rapaz ficou aliviado. Levantou-se para pagar a conta, mas o dono o agarrou e começou a falar sem parar. O rapaz era forte, mas estava numa terra estrangeira. Foi seu novo amigo que empurrou o dono para o lado e puxou o rapaz para fora.
— Ele queria seu dinheiro — disse. — Tânger não é igual ao resto da África. Estamos num porto e os portos têm sempre muito ladrões.
Ele podia confiar em seu novo amigo. Tinha lhe ajudado numa situação crítica. Tirou o dinheiro do bolso e contou.
— Podemos chegar amanhã nas Pirâmides — disse o outro, pegando o dinheiro. — Mas preciso comprar dois camelos.
Saíram andando pelas ruas estreitas de Tânger. Em todo canto haviam barracas de coisas para vender. Chegaram enfim no meio de uma grande praça, onde funcionava o mercado. Haviam milhares de pessoas discutindo, vendendo, comprando, hortaliças misturadas com adagas, tapetes junto com todo tipo de cachimbos.
Mas o rapaz não tirava o olho de seu novo amigo. Afinal de contas, ele estava com todo o seu dinheiro nas mãos. Pensou em pedi-lo de volta, mas achou que seria indelicado. Ele não conhecia o costume das terras estranhas que estava pisando.
«Basta vigiá-lo», disse para si mesmo. Era mais forte que o outro.
De repente, no meio de toda aquela confusão, estava a mais bela espada que seus olhos já haviam visto. A bainha era prateada, e o cabo negro, cravejado de pedras.
