
O rapaz prometeu a si mesmo que, quando voltasse do Egito, ia comprar aquela espada.
— Pergunte ao dono da barraca quanto custa — disse ele ao amigo.
Mas percebeu que tinha ficado dois segundos distraído, olhando a espada.
Seu coração ficou pequeno, como se o peito tivesse subitamente encolhido. Teve medo de olhar para o lado, porque sabia o que ia encontrar.
Os olhos continuaram fixos na bela espada por mais alguns momentos, até que o rapaz tomou coragem e se virou.
Em volta dele o mercado, as pessoas indo e vindo, gritando e comprando, os tapetes misturados com avelãs, as alfaces junto às bandejas de cobre, os homens de mãos dadas pelas ruas, as mulheres de véu, o cheiro de comida estranha, e em nenhum lugar, mas em nenhum lugar mesmo, o rosto de seu companheiro.
O rapaz ainda quis pensar que haviam se perdido por acaso. Resolveu ficar ali mesmo, esperando que o outro voltasse. Pouco tempo depois um sujeito subiu numa daquelas torres e começou a cantar; todas as pessoas ajoelharam-se no chão, bateram com a cabeça no solo, e cantaram também. Depois, como um bando de formigas trabalhadoras, desfizeram as barracas e foram embora.
O sol começou a ir embora também. O rapaz olhou o sol durante muito tempo, até que ele se escondeu atrás das casas brancas que davam a volta na praça. Lembrou-se que quando aquele sol nascera de manhã, ele estava em outro continente, era um pastor, tinha sessenta ovelhas, e um encontro marcado com uma moça.
De manhã ele sabia tudo que iria acontecer enquanto andava pelos campos.
Entretanto, agora que o sol se escondia, ele estava num país diferente, um estranho numa terra estranha, onde nem sequer podia entender a língua que falavam. Já não era um pastor, e não tinha mais nada na vida, nem mesmo dinheiro para voltar e começar tudo de novo.
