
Ele não explicou a palavra “passada”, nem Voy perguntou.
— Você descobriu esse erro, então?
— Sim.
— E não o comunicou ao Conselho Geral?
— Não.
Alívio a princípio, e então um endurecimento do semblante. — Por que não?
— Pouquíssimas pessoas poderiam ter evitado este erro. Senti que poderia corrigi-lo antes que o dano fosse feito. Agi assim. Por que ir mais além?
— Bem… obrigado, Técnico Harlan. Você tem sido um amigo. O erro do Setor que, como você diz, era praticamente inevitável, teria parecido injustificavelmente mau no relatório.
— Naturalmente — continuou ele após um momento de pausa — em vista das alterações em personalidade a serem induzidas por esta Mudança de Realidade, a morte de alguns homens como preliminar é de pouca importância.
Ele não parece realmente agradecido — pensou Harlan imparcialmente. Ele provavelmente se ressente disso.
Se parar para pensar, ressentir-se-á ainda mais de ser salvo de uma queda de posição por um Técnico. Se eu fosse um Sociólogo, ele me apertaria a mão, mas não apertará a mão de um Técnico. Defende a condenação de uma dúzia de pessoas à asfixia, mas não tocará um Técnico.
E porque seria fatal esperar e deixar o ressentimento aumentar, Harlan disse sem demora: — Espero que sua gratidão se estenda o suficiente para que seu Setor faça uma pequena tarefa para mim.
— Uma tarefa?
— Uma questão de Esboço de Vida. Tenho os dados necessários aqui comigo. Tenho também os dados para uma Mudança de Realidade sugerida no século 482. Quero saber o efeito da Mudança sobre o padrão de probabilidades de um certo indivíduo.
— Não estou bem certo — disse o Sociólogo lentamente — de tê-lo entendido. Certamente você tem as facilidades para fazê-lo em seu próprio Setor?
— Tenho. Contudo, aquilo em que estou empenhado é uma pesquisa pessoal que não desejo que apareça nos relatórios por enquanto. Seria difícil tê-la executado em meu próprio Setor sem… — ele gesticulou uma conclusão incerta para a sentença incompleta.
