
E a risada sonora ecoou no pequeno compartimento.
— Sob certos aspectos, tudo não passou de uma comédia, embora com um fim sério. Não estou apenas preocupado com os membros dessa organização, tenho que pensar no efeito moral sobre os outros grupos.
Stormgren ficou um momento calado. Não ficara cem por cento satisfeito, mas compreendia o ponto de vista de Karellen e uma parte da sua indignação se dissipara.
— Foi uma pena ter acontecido nas minhas últimas semanas como secretário-geral — disse, finalmente. — Doravante, vou ter um guarda em minha casa. Pieter pode ser o próximo seqüestrado. Que tal ele se arranjou, por falar nisso?
— Observei-o durante toda a semana e evitei, delibe-radamente, auxiliá-lo. De modo geral, saiu-se muito bem, mas não é homem para tomar seu lugar.
— Sorte dele — disse Stormgren, ainda ressentido. — E, a propósito, já soube algo de seus superiores, a respeito de se mostrar? Tenho agora a certeza de que esse é o principal argumento invocado pelos seus inimigos. Disseram-me, repetidamente: «Nunca poderemos confiar nos Senhores Supremos enquanto não pudermos vê-los».
Karellen suspirou.
— Não, não soube de nada. Mas já sei qual será a resposta.
Stormgren não insistiu. Antes talvez tivesse insistido, mas agora um plano estava começando a se formar em sua mente. As palavras de seu interrogador não lhe saíam da memória. Sim, talvez se pudessem inventar instrumentos…
O que ele se recusara a fazer obrigado, poderia tentar fazer de livre e espontânea vontade.
Nunca teria ocorrido a Stormgren, até alguns dias antes, o que agora ele estava planejando. Aquele ridiculamente dramático seqüestro, que, em retrospecto, parecia um desses seriados de terceira classe da TV, tinha, provavelmente, influenciado em muito sua nova maneira de pensar.
