«Concordará em que conhecemos algo da psicologia humana. Sabemos, com bastante certeza, o que aconteceria se nos mostrássemos ao mundo em seu atual estágio de desenvolvimento. Não posso entrar em detalhes, mesmo com você, de modo que você precisa aceitar minha análise em confiança. Podemos, contudo, fazer uma promessa definitiva que deverá lhe dar alguma satisfação. Daqui a cinqüenta anos — ou seja, dentro de duas gerações — desceremos de nossas naves e a humanidade poderá finalmente ver como somos.»

Stormgren ficou calado, meditando nas palavras do supervisor. A declaração de Karellen não lhe deu a satisfação que antes lhe teria proporcionado. Sentia-se algo confuso pelo seu sucesso parcial e, por um momento, sua resolução fraquejou. A verdade viria com o passar do tempo: seu plano era desnecessário e, talvez, imprudente. Se fosse avante com ele, seria apenas pela razão egoísta de que já não estaria vivo dali a cinqüenta anos.

Karellen devia ter percebido sua indecisão, pois prosseguiu:

— Sinto muito se isso o desaponta, mas pelo menos os problemas políticos do futuro próximo não serão de sua responsabilidade. Talvez você continue achando que nossos temores são infundados, mas, creia-me, temos tido provas convincentes do perigo de agirmos de outra maneira.

Stormgren inclinou-se para a frente, tomado pela emoção.

— Quer dizer que vocês já foram vistos pelo homem!

— Eu não disse isso — retrucou prontamente Karellen. — Seu mundo é o único planeta que nós supervisionamos.

Stormgren não estava disposto a se deixar levar tão facilmente.



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