
— Mas e se, depois de tudo, sua experiência com o homem falhar? Tivemos casos assim, em nossos contatos com raças humanas primitivas. Sem dúvida vocês também conheceram fracassos…
— Sim — disse Karellen, tão baixo, que Stormgren mal pôde ouvi-lo. — Temos tido nossos fracassos.
— E o que fazem, quando isso acontece?
— Esperamos, e tentamos de novo.
Fez-se uma pausa de uns cinco segundos. Quando Karellen voltou a falar, suas palavras foram tão inesperadas que, por um momento, Stormgren não reagiu.
— Adeus, Rikki!
Karellen tinha-o ludibriado — provavelmente, já era demasiado tarde. A paralisia de Stormgren durou apenas um momento. Logo depois, com um movimento rápido e bem ensaiado, puxou para fora o flash-arma e disparou-o contra o vidro.
Os pinheiros desciam até quase a beira do lago, deixando apenas, na borda, uma estreita faixa de grama, de alguns metros de largura. Todas as tardes, quando não estava muito frio, Stormgren, apesar dos seus noventa anos, caminhava por essa tira até o ancoradouro, via o sol mergulhar na água e voltava para casa, antes que o vento frio da noite subisse da floresta. Aquele simples ritual dava-lhe muita satisfação e tencionava continuar a cumpri-lo enquanto tivesse forças.
Ao longe, por sobre o lago, algo se aproximava, voando baixo e rápido, vindo do oeste. Não era comum ver aviões por aqueles lados, a não ser os grandes aparelhos transpo-lares, que passavam muito alto, de hora em hora, dia e noite. Mas nunca havia sinais de sua passagem, exceto um ocasional rastro de condensação, contra o azul da estratosfera. O que agora vinha vindo era um pequeno helicóptero e não havia mais dúvida de que avançava na direção de Stormgren.
O ex-secretário-geral olhou para a praia e viu que não havia maneira de escapar. Deu de ombros e sentou-se no banco de madeira que havia à cabeceira do ancoradouro.
O repórter mostrou-se tão atencioso, que Stormgren ficou surpreso. Quase havia esquecido que não era apenas um velho estadista mas, mesmo fora de seu país, uma figura quase mítica.
