
— Sr. Stormgren — disse o intruso —, sinto muito vir incomodá-lo, mas gostaria de saber se o senhor teria algo a comentar sobre o que acabamos de ouvir a respeito dos Senhores Supremos.
Stormgren franziu ligeiramente a testa. Após todos aqueles anos, continuava, como Karellen, a não gostar daquele termo.
— Não acho — respondeu — que possa acrescentar muita coisa ao que já foi escrito.
O repórter olhava para ele com curiosa intensidade.
— Pois eu acho que sim. Acabamos de ter notícia de uma história muito estranha. Parece que há cerca de trinta anos um dos técnicos do Departamento de Ciências fabricou um notável aparelho para o senhor. Gostaríamos de saber se o senhor está disposto a nos contar algo a respeito.
Por um momento, Stormgren ficou calado, remoendo o passado. Não se espantava de que o segredo tivesse sido descoberto. Ao contrário, era de admirar que se tivesse mantido por tanto tempo.
Levantou-se e começou a andar ao longo do píer, com o repórter atrás dele.
— A história — disse — tem uma certa dose de verdade. Na minha última ida à nave de Karellen, levei comigo um aparelho, na esperança de poder ver o supervisor. Foi uma bobagem de minha parte, mas também eu tinha apenas sessenta anos!
Riu consigo mesmo e continuou:
— Não valia a pena você ter feito uma viagem tão longa por causa dessa história. Afinal, não resultou em nada.
— Quer dizer que o senhor não viu nada?
— Absolutamente nada. Receio que vocês tenham que esperar, mas, afinal de contas, faltam apenas vinte anos!
Apenas vinte anos. Sim, Karellen tivera razão. A essa altura, o mundo já estaria pronto, coisa que não acontecera quando ele contara a mesma mentira a Duval, havia trinta anos.
Karellen confiara nele e Stormgren não o traíra. Tinha
