
quase a certeza de que o supervisor desde o início soubera de seu plano e previra todos os momentos do ato final.
Por que outro motivo a enorme cadeira já estava vazia, quando o círculo de luz a iluminara? Nesse mesmo momento, ele começara a girar a lanterna, temendo ser demasiado tarde. A porta de metal, com o dobro da altura de um homem, estava se fechando rapidamente, quando ele pela primeira vez a vira… fechando-se rapidamente, mas não suficientemente rápido.
Sim, Karellen confiara nele, não desejara que ele passasse o longo crepúsculo de sua vida atormentado por um mistério que jamais conseguiria desvendar. Karellen não ousara desafiar os poderes desconhecidos acima dele (seriam eles da mesma raça?), mas fizera tudo o que pudera. Se lhes havia desobedecido, eles nunca poderiam provar. Stormgren compreendera que essa fora a derradeira prova do afeto que Karellen lhe votava. Embora pudesse ser como o afeto de um homem por um cão dedicado e inteligente, nem por isso era menos sincero, e a vida dera a Stormgren poucas satisfações maiores do que essa.
«Tivemos os nossos fracassos.»
Sim, Karellen, era verdade: e não teria sido você quem fracassara, antes do alvorecer da história do homem? Devia ter sido um fracasso e tanto, pensou Stormgren, para que os seus ecos atravessassem as eras, assombrando a infância de todas as raças humanas. Mesmo no espaço de cinqüenta anos, ser-lhe-ia possível vencer o poder de todos os mitos e lendas existentes no mundo?
Contudo, Stormgren sabia que não haveria um segundo fracasso. Quando as duas raças voltassem a se encontrar, os Senhores Supremos teriam conquistado a confiança e a amizade da humanidade e nem o choque do primeiro encontro poderia abalar esse trabalho. Marchariam juntas em direção ao futuro, e a tragédia desconhecida, que devia ter escurecido o passado, se perderia, para sempre, nos penumbrosos corredores da pré-história.
