
Stormgren esperava que, quando Karellen tivesse liberdade de voltar de novo à Terra, fosse um dia àquelas florestas setentrionais e se detivesse um pouco junto à sepultura do primeiro homem que fora seu amigo.
II
A Idade de Ouro
«Chegou o dia!», murmuravam as emissoras de rádio em mais de cem línguas. «Chegou o dia», diziam as manchetes de mais de mil jornais. Chegou o dia! pensavam os câmeras, checando muitas vezes o equipamento reunido em volta do vasto espaço vazio no qual desceria a nave de Karellen.
Havia apenas uma nave, agora, flutuando sobre Nova York. Na realidade, como o mundo acabava de descobrir, as naves que se viam sobre as outras cidades do homem nunca tinham existido. No dia anterior, a grande frota dos Senhores Supremos dissolvera-se no nada, dispersando-se como se fosse neblina, sob o orvalho da manhã.
As naves de abastecimento, indo e vindo pelo espaço distante, tinham sido reais; mas as nuvens prateadas que haviam pairado, durante toda uma vida, sobre quase todas as capitais da Terra, tinham sido uma ilusão. Como essa ilusão fora criada, ninguém sabia dizer, mas parecia que cada uma dessas naves não passara de uma imagem da nave de Karellen. Não fora, porém, apenas um jogo de luzes, pois até o radar tinha sido logrado, e havia ainda homens vivos que juravam ter ouvido o estrépito do ar sendo rasgado pela frota, ao penetrar nos céus da Terra.
Mas isso não era importante: o que interessava era que Karellen já não sentia a necessidade de uma exibição de forças. Pusera de lado suas armas psicológicas.
«A nave está se movendo!» A notícia espalhou-se imediatamente por todos os cantos do planeta: «Está se dirigindo para oeste!»
A menos de mil quilômetros por hora, descendo lentamente das alturas vazias da estratosfera, a nave rumava para as grandes planícies e para o seu segundo rendez-vous com a história. Pousou obedientemente diante das câmeras e dos milhares de espectadores que se comprimiam, embora muito poucos pudessem ver mais do que os milhões reunidos em volta dos aparelhos de televisão.
