Talvez esses problemas puramente físicos explicassem seu distanciamento. Somente uma pequena fração da raça humana já vira um Senhor Supremo em carne e osso e ninguém podia fazer idéia de quantos haveria a bordo da nave de Karellen. Nunca se tinha visto mais de cinco juntos, mas podia haver centenas, ou mesmo milhares deles, a bordo da enorme nave.

Sob muitos aspectos, o aparecimento dos Senhores Supremos criara mais problemas do que resolvera. Sua origem continuava desconhecida, sua biologia era fonte de intermináveis especulações. Em muitos assuntos, davam informações espontâneas, mas em outros seu comportamento podia ser descrito como misterioso. De modo geral, porém, isso não irritava senão os cientistas. O homem comum, embora preferisse não encontrar os Senhores Supremos, era-lhes grato pelo que tinham feito em prol do mundo.

Pelos padrões das eras anteriores, era uma verdadeira utopia. A ignorância, a doença, a pobreza e o medo tinham virtualmente deixado de existir. A lembrança da guerra diluía-se no passado, como um pesadelo se dispersa com o amanhecer; em breve, nenhum homem vivo se recordaria mais dessa experiência.

Com as energias da humanidade dirigidas para canais construtivos, a face do mundo fora refeita. Era, quase literalmente, um mundo novo. As cidades que haviam servido às gerações anteriores tinham sido reconstruídas — ou abandonadas e deixadas como cidades-museus, quando haviam cessado de ter utilidade. Muitas delas já tinham sido abandonadas, pois todo o sistema de indústria e comércio havia mudado completamente. A produção tornara-se quase cem por cento automática: as fábricas-robôs produziam bens de consumo em tão grande escala, que todas as necessidades comuns à vida eram virtualmente gratuitas. Os homens trabalhavam apenas para obter os artigos de luxo que desejavam — ou não trabalhavam.

Era um mundo único. Os antigos nomes dos velhos países ainda eram usados, mas só como zonas postais. Não havia ninguém na Terra que não falasse inglês, que não soubesse ler, que não tivesse um aparelho de televisão, que não pudesse ir ao outro lado do planeta em vinte e quatro horas no máximo…



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