2. «Apesar da imprensa ser do conhecimento dos chineses no sec. XI, foi efetivamente com johann Gutenberg (1398/1468) que ela se disseminou explosivamente por volta de 1456. Por volta de 1490 Veneza só possuía cerca de cem estabelecimentos gráficos, mas no final do século cerca de nove milhões de livros já haviam sido impressos e disseminados por toda a Europa. Este desenvolvimento fulminante da imprensa condenou à morte o medievalismo. Cinqüenta anos após a invenção da imprensa, a causa da reforma recebeu um novo e poderoso alento e foi precipitada com uma violência explosiva pela descoberta da América. A 3 de agosto de 1492 Colombo partia de Palos e abria um novo mundo ao pensamento humano. O pensamento medieval estava morto. O mundo penetrava nos tempos modernos, no reinado da Razão.»

Há alguns anos eu escreveria o texto acima com um grau de certeza muito maior do que a que tenho hoje. Na verdade, após os acontecimentos que constituem a essência desta narrativa, não creio que o pensamento madieval tenha jamais morrido. Nem que o mundo tenha passado alguma vez por um «reinado da razão». O progresso humano tem sido sempre desarrazoado na mesma proporção. Pois como já mencionei anteriormente, a qualidade de vida das pessoas só tende a dcrescer e o progresso passa a ter cada vez menor signficado prático e utilidade. Eu aprecio cada vez menos as máquinas. Porisso, à importância que delego a este documento, fiz questão de prapara-lo manuscritamente. Os grandes documentos, mesmo os mais recentes, são manuscritos. É uma tradição que quero manter. E que este manuscrito original possa ser mantido intacto mesmo depois que as cópias impressas tenham sido disseminadas e sua destruição se torne assim impossível. Sou extremamente grato a Johan Gutenberg, mas certas coisas só mãos humanas podem transmitir. Manualmente.



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