
O oitavo filho, por sua vez, cresceu, casou-se e teve oito filhos, e, como existe apenas uma profissão apropriada ao oitavo filho de um oitavo filho, ele se tornou um mago. E tornou-se sábio e poderoso, ou pelo menos poderoso, e usava um chapéu pontudo e tudo terminaria aí…
Deveria ter terminado aí…
Mas, contra a Doutrina da Magia e certamente contra toda a razão — salvo as razões do coração, que são cálidas, confusas e, bem, nada razoáveis —, ele abandonou o círculo de magia, apaixonou-se e se casou, não necessariamente nessa ordem.
E teve sete filhos, cada qual, desde o berço, tão poderoso quanto qualquer mago do mundo.
Então, ele teve o oitavo filho…
Mago ao quadrado. Fonte de magia.
Um fonticeiro.
Raios de verão irrompiam por entre os penhascos de areia. Bem abaixo, o mar sugava as rochas fazendo tanto barulho quanto um velho com um único dente que ganhasse um pé de moleque. Algumas gaivotas pairavam nas alturas, esperando que algo acontecesse.
E o pai dos magos estava sentado em meio a plantas inquietas, na beira do penhasco, embalando o filho nos braços e mirando o oceano.
Havia uma nuvem negra sobre o mar, avançando em direção a terra, e a luz que ela filtrava possuía a textura aveludada que prenuncia uma grande tempestade.
Ele se virou, ao sentir um súbito silêncio que lhe chegou por trás, e ergueu os olhos vermelhos de choro para o vulto alto e encapuzado, vestido com um manto negro.
— IPSLORE, O VERMELHO? — perguntou o vulto.
A voz era cavernosa como uma gruta, densa como uma estrela de nêutrons.
Ipslore abriu o sorriso medonho dos subitamente enlouquecidos e suspendeu o filho à inspeção de Morte.
— Meu filho — disse. — Vou chamá-lo Coin.
— NOME TÃO BOM QUANTO QUALQUER OUTRO — considerou Morte, educadamente.
As órbitas oculares vazias se voltaram para baixo e fitaram o rostinho redondo, envolto em sono. Apesar dos boatos, Morte não é cruel — apenas terrivelmente, terrivelmente bom no que faz.
