O arqui-reitor da Universidade Invisível era o líder oficial de todos os magos do Disco. Em outra época, isso teria significado que era o mais poderoso no manejo da magia, mas os tempos agora eram outros e, para ser sincero, os magos seniores costumavam achar que a magia, em seu estágio atual, era pouco para eles. Preferiam a administração, que se mostrava mais segura e igualmente divertida, contando, inclusive, com grandes jantares.

E assim passava a longa tarde. O chapéu continuava sobre a almofada desbotada, nos aposentos de Wayzyganso, enquanto o velho mago ensaboava a barba, sentado na banheira de frente para a lareira. Outros magos cochilavam em seus gabinetes ou caminhavam pelos jardins a fim de abrir o apetite para o banquete noturno. Em geral, cerca de doze passos eram considerados suficientes.

No salão principal, sob os olhares esculpidos e pintados dos duzentos arqui-reitores prévios, a equipe do serviço alimentar dispunha cadeiras e mesas compridas. No labirinto arqueado das cozinhas… bem, a imaginação não deve precisar de auxílio. Deve incluir muita gordura, calor e gritaria, barris de caviar, bois inteiros assados, tiras de lingüiça penduradas de parede a parede, o próprio chefe entregue ao trabalho num dos compartimentos, terminando os retoques de uma grande maquete da Universidade moldada em manteiga. Ele fazia isso sempre que havia banquete — cisnes de manteiga, prédios de manteiga, toda uma fauna de animais selvagens gordurosos, rançosos e amarelos —, e gostava tanto do negócio que ninguém tinha coragem de pedir que parasse.

No labirinto particular de adegas, o chefe do serviço alimentar vagava por entre barris, decantando e experimentando.

A atmosfera de expectativa havia chegado até aos corvos que habitavam a Torre de Arte, construção de 250 metros de altura, supostamente a mais antiga do mundo.



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