
Fiquei ali um bocado, até notar, no fundo de alguns passadiços mais distantes — embora não soubesse se eram reflexos, em espelhos, do meu ou realidade —, letras de fogo a deslocar-se sistematicamente através do ar: SOAMO SOAMO SOAMO, uma pausa, uma espécie de clarão azulado e depois NEONAX NEONAX NEONAX. Devia tratar-se dos nomes de estações ou, provavelmente, do anúncio de produtos. De qualquer modo, não me diziam nada.
«Já é mais que tempo de me encontrar com o tal tipo», pensei. Girei nos calcanhares e, vendo um passadiço seguir na direcção oposta, passei para ele. Afinal, tratava-se do nível errado, não era sequer o átrio que eu deixara: percebi-o pela ausência das enormes colunas. No entanto, elas podiam ter ido para qualquer lado… Entretanto, já tudo me parecia possível.
Encontrei-me numa floresta de fontes; mais adiante encontrei uma sala branca e rosa cheia de mulheres. Ao passar, estendi a mão, sem pensar, para o jacto de uma fonte iluminada, talvez por ser agradável encontrar alguma coisa um bocadinho familiar.
