
O rapaz pareceu-me desagradavelmente surpreendido, zangado mesmo, por alguém ter interrompido o seu tête-à-tête. Eu devia ter desrespeitado qualquer regra da boa educação. Ele olhou-me de alto a baixo, como se esperasse encontrar andas que justificassem a minha altura. Não disse uma palavra.
— Olhe, ali! — gritou a rapariga. — O rast no vuk, o seu rast. Ainda o apanha, corra!
Desatei a correr na direcção indicada, mas sem saber para quê — ainda não fazia a mínima ideia do aspecto do maldito rast — e, ao fim de uns dez passos, vi descer de muito alto um funil prateado, da base de uma das enormes colunas que tanto me tinham admirado. Tratar-se-ia de colunas voadoras? Para o objecto corria gente de todas as direcções. Nisto, choquei com alguém. Não perdi o equilíbrio, fiquei apenas specadfl, mas a outra pessoa, um robusto indivíduo vestido de cor de laranja, caiu e vi acontecer-lhe algo incrível: o seu casaco de peles mirrou debaixo dos meus olhos, esvaziou-se como um balão furado! Continuei parado, estupefacto, incapaz de murmurar ao menos um pedido de desculpa. Ele levantou-se e lançou-me um olhar furioso, mas não disse nada. Virou-se e afastou-se, tocou com os dedos em qualquer coisa, no peito… e o seu casaco encheu-se de novo e iluminou-se!
