Fui alcançado por uma onda de peões. Empurrado, andei para a frente, na multidão. Precisei de um momento para me aperceber realmente das dimensões do átrio. Mas seria tudo um átrio? Não havia paredes: uma cintilante, branca e alta explosão de alas incríveis; entre elas, colunas, colunas que não eram feitas de qualquer substância, mas sim de entontecedor movimento. Esguichando para cima, enormes fontes de um líquido mais denso do que a água, iluminado pelo interior por projectores coloridos… Seria? Não… túneis verticais de vidro através dos quais subia velozmente uma sucessão de veículos pouco nítidos. Senti-me absolutamente confuso. Constantemente empurrado pelas turbas apressadas, tentei abrir caminho para qualquer espaço vazio. Mas ali não havia espaços vazios. Como era uma cabeça mais alto do que quantos me rodeavam, pude ver que o foguetão vazio se estava a afastar… não éramos nós que deslizávamos para a frente com toda a plataforma. Em cima brilhavam luzes fortes e, nelas, as pessoas cintilavam e refulgiam. A superfície plana em que nos encontrávamos comprimidos começou a subir e eu vi, em baixo, ao longe, faixas bancas, duplas, cheias de gente e hiantes fendas negras ao longo de naves inertes — pois encontravam-se ali dúzias de naves como a nossa. A plataforma móvel descreveu uma curva, acelerou e continuou a subir para níveis mais altos. Ruidosas e agitando o cabelo dos que estavam parados com fortes rajadas de vento, passavam velozmente, como que em impossíveis (por não terem, absolutamente, nenhum apoio) viadutos, sombras ovais trémulas de velocidade, arrastando atrás de si longas tiras de chamas, as suas luzes de sinalização. Depois, a superfície que nos transportava começou a dividir-se ao longo de imperceptíveis costuras. A minha faixa passou por um interior cheio de pessoas de pé e sentadas, rodeadas por uma multidão de minúsculos clarões, como se estivessem entretidas a lançar fogo de vistas colorido.



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