O jardim era contornado por prédios de aparência militar, que hoje abrigavam enfermarias masculinas, femininas, os escritórios de administração, e as dependências dos empregados. Ao final de uma primeira e rápida inspeção, notou que o único lugar realmente vigiado era o portão principal, onde todos que entravam e saiam tinham suas identidades verificadas por dois guardas.

Tudo parecia estar voltando ao lugar no seu cérebro. Para fazer um exercício de memória, começou a tentar lembrar-se de pequenas coisas — como o lugar onde deixava a chave do seu quarto, o disco que acabara de comprar, o mais recente pedido que lhe fizeram na biblioteca.

— Sou Zedka — disse uma mulher, se aproximando.

Na noite anterior, não pudera ver seu rosto — estivera agachada ao lado da cama todo o tempo da conversa. Ela devia ter aproximadamente 35 anos, e parecia absolutamente normal.

— Espero que a injeção não tenha causado muito problema. Com o tempo o organismo se acostuma, e os calmantes perdem o efeito.

— Estou bem.

— Aquela nossa conversa ontem a noite...o que você me pediu, lembra?

— Perfeitamente.

Zedka pegou-a por um braço, e começaram a caminhar juntas, por entre as muitas arvores sem folhas do pátio. Além dos muros, podia-se ver as montanhas desaparecendo nas nuvens.

— Está frio, mas é uma bonita manhã — disse Zedka. — É curioso, mas minha depressão nunca aparecia em dias como este, nublado, cinzento, frio. Quando o tempo estava assim, eu sentia que a natureza estava de acordo comigo, mostrava minha alma. Por outro lado, quando aparecia o sol, as crianças começavam a brincar nas ruas, e todos estavam contentes com a beleza do dia, eu me sentia péssima. Como se fosse injusto que toda aquela exuberância se mostrasse, e eu não pudesse participar.

Com delicadeza, Veronika soltou-se do braço da mulher. Não gostava de contatos fisicos.



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