Todas as vias, tanto as móveis como as fixas, terminavam ao atingir o parque que era o coração verde da cidade. Ali, numa área circular de cinco quilômetros de diâmetro, achava-se a memória do que tinha sido a Terra antes que o deserto engolisse tudo, menos Diaspar. Primeiro, uma ampla faixa de grama, depois árvores baixas que pareciam cada vez mais grossas à medida que se caminhava sob sua sombra. Ao mesmo tempo, o chão inclinava-se suavemente para baixo, de modo que quando enfim se saía da estreita floresta, todos os sinais da cidade haviam desaparecido, ocultos pela cortina de árvores.

O longo curso d'água que corria à frente de Alvin era chamado simplesmente de o Rio. Não tinha, nem precisava, de outro nome. A intervalos era cruzado por pontes estreitas, e corria ao redor do parque num círculo completo e fechado, quebrado por lagoas ocasionais. Que um rio de águas velozes como aquele pudesse retornar para si mesmo, depois de um curso de menos de dez quilômetros, era coisa que Alvin jamais considerara esquisita. Na verdade, não teria achado nada extraordinário se em determinado ponto do circuito o Rio empreendesse uma escalada. Diaspar encerrava coisas ainda mais estranhas.

Cerca de doze pessoas nadavam numa das pequenas lagoas, e Alvin parou a observá-las. Conhecia a maioria de vista, se não de nome, e por um momento esteve tentado a ir juntar-se a elas. Mas o segredo que ele estava conduzindo fez com que se decidisse a não fazê-lo, e Alvin limitou-se ao papel de espectador.

Fisicamente, não havia como determinar, qual daqueles jovens havia saído da Casa de Criação naquele ano, e qual deles vivia em Diaspar há tanto tempo quanto Alvin. Apesar de consideráveis, as variações de tamanho e peso não apresentavam correlação alguma com a idade. As pessoas nasciam assim, simplesmente, e ainda que, em geral, quanto mais altas mais idosas fossem, essa regra era de aplicação duvidosa, a menos que se tratasse de uma pessoa várias vezes centenária.



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