— As suas bailarinas que lhe façam as camisas! Eu não lhes tocarei nem que mas pagasse a peso de ouro.

Isto era tão inesperado para o director que ele nada respondeu e ficou a olhar para minha mãe, estupefacto e congestionado.

Eu, entretanto, tentava arrastá-la dali para fora e quase chorava de vergonha e de humilhação. Consegui-o finalmente, e saímos do quarto sem que o director pronunciasse uma única palavra.

No dia seguinte contei esta aventura ao pintor, que se tinha tornado um pouco meu confidente. Ele riu com vontade do que o director dissera quanto às minhas aptidões para ama de leite e disse-me:

— Minha pobre Adriana. Já to disse várias vezes: o teu grande erro foi teres nascido no tempo presente; devias ter vindo ao mundo há quatro séculos. O que hoje é considerado defeito era então considerado qualidade e vice-versa. Do seu ponto de vista, o director tem razão. O público actualmente exige mulheres magras, louras, de seio pequeno, ancas estreitas e um rosto malicioso e provocante; tu, pelo contrário, és forte, morena, com um seio e umas ancas opulentas e um rosto doce e tranquilo. Não está na tua mão modificares a situação. Para mim tens precisamente o que necessito. Continua a ser modelo. Depois, um belo dia, casarás e terás muitos filhos parecidos contigo, morenos e gorduchos, com caras meigas e tranquilas.

— São essas precisamente as minhas ambições — respondi com energia.

— Muito bem — disse ele. — Agora inclina-te um bocadinho para o lado. Isso! Óptimo.

Este pintor queria-me bem à sua maneira, e se tivesse continuado a viver em Roma e a servir-me de confidente tenho a certeza de que me daria bons conselhos e muitas coisas que me aconteceram poderiam ter sido evitadas. Mas ele queixava-se constantemente de que não vendia os seus quadros e acabou por aproveitar a oportunidade de ter feito uma exposição em Milão para fixar residência naquela cidade.



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