
Respondi-lhe portanto com simplicidade:
— Foi minha mãe quem me arranjou este trabalho.
— Então é sinal de que ela não gosta de si.
— Não — protestei —, a minha mãe gosta até muito de mim; mas ela também no seu tempo de rapariga foi modelo. E depois asseguro-lhe que nada tem de mal. Há muitas raparigas como eu que fazem este trabalho e são raparigas sérias.
Ele abanou a cabeça em ar de desaprovação e depois pousou a sua mão na minha.
— Sabe que estou bem contente por tê-la conhecido… muito contente!
— Também eu — respondi ingenuamente. Neste momento sentia uma atracção tão grande por ele que quase esperava que me beijasse. Com certeza que se me tivesse beijado eu não teria protestado, mas em vez disso disse-me com voz grave e ar protector:
— Se isso dependesse de mim, você não seria modelo com certeza!
Senti-me imediatamente vítima e experimentei um sentimento de gratidão pela sua consideração.
— Uma rapariga como você — continuou ele — deve ficar na sua casa… precisando… pode trabalhar… Mas é preciso que seja um trabalho digno… um trabalho em que não seja necessário sacrificar-se a pôr em perigo a sua honra. Você é uma rapariga para casa, fundar um lar, ter filhos, fazer companhia ao seu marido.
